(L)

«não me esqueci de ti, nem de nós» (L) !

14.7.10

roda viva.

todos começamos da mesma forma; primeiro gatinhamos, depois vêm os primeiros passos. passos de bebé: curtos. inseguros como tu! andas agarrado às coisas. cais. choras. levantas-te. voltas a cair. voltas a levantar-te. vais ganhando confiança e um dia descobres que já consegues andar sozinho. decides ir correr mundo. andar e correr. caminhas com a segurança de que o mundo é teu. um mundo à tua espera. um mundo que não pode esperar. corres. saltas. avanças. no sorriso tens a felicidade da descoberta. tanto por ver; tanto por sentir. não te cansas. não descansas. e não paras. nunca. fechas os olhos, sentes a velocidade e a brisa no rosto. sentes o sol e a chuva. o frio. o calor. o vento. o dia. a noite. e a certeza de que o mundo é um lugar seguro. mas de repente abres os olhos e vês; olhas e reparas. na verdade, nunca saíste do mesmo lugar! corres em círculos. descobres que a vida não passa de um carrossel que gira à tua volta e tu, lá dentro, não o consegues parar. não tens força para o controlar. ouves, lá longe. o ritmo aumenta e tu tentas acompanhá-lo. velocidade. vertigem. medo. coragem. fúria. silêncio. paz. guerra. início. fim. recomeço. queda. ascensão. partida. chegada. avanço. recuo. dúvida. certeza. problema. solução. desespero. esperança. dor. prazer. vida. morte. fome. pão, é tudo ao mesmo tempo e tu sem saberes para onde olhar.descobres que menos que tudo é nada. esforço. mais uma tentativa de agarrar a vida. uma tentativa vã de a controlar. a roda gigante continua, implacável. nada a detém. e o tempo lá fora que corre, voa. sentes as pernas a fraquejar. sentas-te no chão frio. exausto. esgotado, enjoo. nojo. náusea. e o mundo não pára de girar. suspenso, imóvel, vencido, esperas por uma oportunidade para recomeçar.

amo-te, tal e qual como tu és. «3

10.7.10

e é assim.

há alturas da vida em que temos que voar. mas não sabemos como se nasce esse impulso. e se não o conseguirmos atinguir, vamos ficar marcados para a vida inteira. os remorsos e a sensação de culpa perseguem-me, é como um pesadelo, que nunca nos abandona. e isso vai-nos parecer que as outras pessoas nos vigiem, nos condenam, nos desprezem e falem mal. e esse impulso só acontece uma vez, e é quase imperceptível. mas pode haver um mecanismo estranho que nos cega, nos insensibiliza nesse momento, e nós não entendemos os sinais do impulso. isso aconteceu-me a mim.
tenho dias que estou em plena felicidade, outros, vou abaixo assim do nada. lembro-me de coisas que já foram, certamente, esquecidas por ti. mas eu lembro-me de tudo, pormenor por pormenor, que vale por mim e por ti. mas apesar de eu me sentir dias e dias na merda, em que me falam mal de ti, eu estou sempre a contradizer tudo o que dizem, defendo-te com unhas e dentes, porque só eu, no fundo mas bem lá no FUNDO, sei como és. «não sei como és capaz de estar assim por aquela merda de rapaz» dizem-me isto vezes e vezes sem conta! mas só eu sei o que sinto, só eu sei dar valor a este sentimento, e mais ninguém precisa de o entender, até mesmo tu, que não estás nem aí para isto.
eu não permito que o desvalorizem e falem mal de ti à minha frente. ;)